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O imaterial
e o Testemunho
Pompeu,
também Orlando, nascido no interior, curtido pelo Ocidente e pelo
Oriente, hóspede das nuvens, onde habitualmente reside, não por
simples encontro com o Impossível, mas por fatal encantamento dos
acessos interditos. Ei-lo, pintor por diktat do instinto e
cursado nas academias do convi(ver). Entre Fafe e Porto, Paris e
Tóquio, Rio de Janeiro e Barcelona, São Francisco e Nova Iorque,
foi-se firmando e reafirmando, foi-se sublimando sem abdicar de
trono e do sonho originários. Soube levar e elevar Cepães, como
metáfora de autenticidade, a poética consumível e traduzível pela
sofreguidão das metrópoles.
Os seus
documentos são códices de psicologia e de geografia. Não se
aprimorou como funcionário de estampas. Conciliou e reconciliou
impressões de localidade com simbologias do «des-formal» e da «des-convergência».
Com suave pedagogia deslizou pelas babilónias da imagem os ícones do
seu princípio de ser. E como se constata: compatibilizando
testemunho e indefinido, reconhecível e intransmissível, típico e
indagativo. Não teve de anular ou dissimular a sua galeria de
paisagens e figuras. Somente as fez coabitar com as pulsões da
urbanidade, da tecnologia, da especulação criativa. Pompeu sintetiza
o emocional e o social, o conteúdo e o continente, deixando a
pairar, na atmosfera pictórica, um limbo e um nimbo de
imaterialidade, mesmo no rigor da geometria, mesmo no vigor da
fisionomia.
Dá-se, pois,
uma festiva trégua dos mitos da maternidade e da errância, da
comunidade e da individualidade, da imaginação e da transgressão.
Ele reinventa Mozart no rio Vizela e Verdi em St. Cloud, porque a
infância e a liberdade marcam os seus gestos, protestos e afectos.
Pompeu,
também Orlando, nómada do ilimitado, em passagem pelo Porto, onde os
limites se envolvem em neblinas. |
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De
l´immatériel et du temoignage
Pompeu, mais Orlando aussi, est né en province, tanné par
l'Occident, tanné par l'Orient, hôte des nuages, sa demeure
habituelle, nullement parce qu'il aurait buté sur l'impossible, mais
parce que les accès interdits l'ont fatalement envoûté. Le voilà
peintre, par Diktat de l'instinct, formé dans les académies
de Ia convivialité, du «convi-voir». Entre Fafe et Porto,
Paris et Tokyo, Rio de Janeiro et Barcelone, San Francisco et New
York, il s'est affirmé et réaffirmé, sublimé peu à peu sans abdiquer
de son trône et de son rêve originels. II a su emporter et élever
Cepães, métaphore de l'authenticité, poétique consommable et
traduisible par Ia voracité des métropoles.
Ses documents sont des parchemins de psychologie et de géographie.
II n'a pas fignolé comme préposé aux estampes. II a concilié et
réconcilié des impressions de lieux avec des symbologies du «dé
formel» et de Ia «dé convergence». Avec une suave pédagogie il a
glissé sur les Babylones de l'image, les icônes de son principe
d'être. Et il l'a fait comme on peut le voir: compatibilisant le
témoignage et l'indéfini, le reconnaissable et l'intransmissible, le
typique et le «questionnant». II n'a pas eu à annuler sa
galerie de paysages et de figures. II les a tout bonnement fait
cohabiter avec les pulsions de l'urbanité, de Ia technologie, de Ia
spéculation créative. Pompeu synthétise l'émotionnel et le social,
le contenu et le contenant, laissant planer dans l'atmosphère
picturale, des limbes et un nimbe d'immatérialité, jusque dans Ia
rigueur géométrique, jusque dans Ia vigueur de Ia physionomie.
Une trêve festive s'instaure donc dans les mythes de Ia maternité et
de l'errance, de Ia communauté et de l'individualité, de
l'imagination et de Ia transgression. Sur Ia rivière Vizela il
réinvente Mozart, et Verdi à St. Cloud, parce que l'enfance et Ia
liberté marquent ses gestes, ses protestations et ses affections.
Pompeu, mais Orlando aussi, nomade de l'illimité, de passage à Porto
où les limites s'enrobent de brumes.
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