'Vontade de viver'

na obra de Orlando Pompeu

 

O sorriso, entre o astuto e o simples, de Orlando Pompeu, nos mostra que, apesar de do seu próximo meio século de existência, nossa personagem não rompeu por inteiro com os seus primeiros anos, os seus primeiros sonhos, as suas raízes, as primeiras brincadeiras. E ao contemplar o que o sua mão há criado sobre a madeira ou sobre a tela esse descobrimento resulta todavia maior, está muito mais oculto. Porque, apesar das transformações que experimentou na sua obra, fruto de uma grande madureza, resultado também de um plural de vivências -variedade de ramas, distintas, sempre frescas, mas filhas de um tronco comum, em que Orlando Pompeu nos oferece sempre alguma coisa daquele menino que veio ao mundo em Cepães, Fafe, norte do querido Portugal. 

 

VOZ romântica lusa produziu aquele desgarrado grito, que só a sua reprodução gero um escalafrío <Tenho vontade de morrer>. A recordação não a faz de maneira caprichosa. Serve-nos para assinalar que o conjunto da obra deste artista desprende mensagens de signo totalmente distinto, Habita na obra de Pompeu muita vida; caudalosos rios de vida trasladados a tela, reflexo inequívoco da maneira de ser de este pintor luso.

 

ORLANDO POMPEU parece por em prova a lei da gravidade em muitos dos seus seres pictóricos. O faz com um certo descaramento, com uma dose não pequena de ousadia, mas o artista sempre seguro do que traz entre mãos. Instantâneo ou ubiquidade nos oferecem igualmente como rasgos característicos de muitos de esses seres. Resultam corpos que aparecem e desaparecem, graças a esse zig-zag tão bem conseguido, com uma grande perícia no uso do traço, e na eleição da gama das cores. Em alguns quadros de Orlando Pompeu há também um algo substituindo as palavras por linhas ou traços mais ou menos grossos de que os teóricos da literatura consideram essencial em toda boa novela: exposição, nó e desenlace.

JOSÉ FRANCISCO ARMESTO FAGINAS

Membro fundador do Instituto de Estudos Vigueses