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«Pintor pelo ditado do instinto, formado em academias de experimentação, do “fazer” e “saber fazer”. Entre Fafe e o Porto, Paris, Londres, Tóquio, Rio de Janeiro e Barcelona, São Francisco e Nova Iorque, Orlando Pompeu afirmou-se e reafirmou-se ao longo de um percurso de quase trinta anos. Desde uma linguagem inicial hiper-realista tornada posteriormente abstracta, passando a um diálogo permanente e evolutivo entre a figuração e a abstracção, em perfeita harmonia com as ideias do artista. Revelações de uma ilimitada imaginação criativa colocada em prática num registo muito emotivo. Uma procura incessante de novas formas, de concepções poéticas plenas de desenho, movimento, gamas de cor, simbolismos, e fixação do espaço e do tempo através de uma grande liberdade de expressão. A temática desta exposição assenta num discurso que o artista tem vindo a explorar nos últimos anos, o da poética de um povo em saudade, imbricado num sentimento ambivalente de diáspora e desejo de regresso. A sempre renovada paixão de Orlando Pompeu pelo fascínio da cidade das Luzes que o leva a viajar em trabalho e o enorme desejo de regresso às suas raízes e ao meio familiar, a um mundo de intimidade. Esta verdade humana é transposta para a tela por meio de elementos gráficos, espontâneos, de grande beleza estética ou através de uma vertente conceptual e geométrica mais elaborada. Os dois géneros de pintura convivem na obra do pintor, ainda que individualmente, de um modo harmonioso, pois ambos dimanam vida através de um simples olhar.»
Liliana Figueiredo Pereira Porto, Maio de 2005
«Essências de uma Causa
Originário de Cepães, no concelho de Fafe, Orlando Pompeu tem vindo a renovar, uma e outra vez, através da sua obra, a busca e o encontro, nas suas vivências e memórias, de um lugar originário para toda a pintura. As telas de Orlando Pompeu fazem-nos submergir nos azuis dominantes, nos rosas claros e nos tons areia, lugar onde o tempo, a luz do sol, o horizonte do mar e a Mulher habitam. Lugar de gaivotas esvoaçantes, pequenos barcos, rochedos surrealistas e balões coloridos. O mar que banha o litoral Norte expande-se nos seus quadros e sente-se uma água que não tem fim... prenúncio de trabalhos futuros? Mas Orlando Pompeu é, sobretudo, pintor de gente. Nas suas obras encontram-se sempre homens e mulheres reais, retratos das suas múltiplas vivências, embora a maior parte das vezes eles nos aparecem num plano transfigurado. Na obra “Diagnóstico Precoce de Patologia Sexual” representa o mundo da sexualidade desmedida. Porque a sua pintura é real, verdadeira, uma extensão do conhecimento da vida. Também nas suas telas pintou sempre mulheres, pois tem uma grande admiração por elas. Nesta exposição apresenta alguns retratos do universo familiar. Mais uma vez Orlando Pompeu surpreende com esta nova Exposição. Surpreende pela qualidade artística que revela nas suas obras. Na sequência do núcleo temático “pompeuano”, estas apresentam o objecto, o corpo, como referências evidentes. Pompeu não renuncia ao objecto que é sempre o pretexto na sua pintura, e, sobretudo dimensionado no âmbito de uma organização formal deliberada e extremamente rigorosa. A relação cor-forma é outra evidência preponderante. Representar constitui um sentido unívoco no seu trabalho. Quando utiliza a expressão do gesto na representação, Pompeu percorre um caminho, desenvolve todo um processo que conflui para a abstracção. Nalgumas das obras presentes nesta Exposição, Pompeu assume o objecto como uma espécie de fragmentação visível na obra das girafas, e como uma distorção formal presente num retrato familiar. Com esta nova série nitidamente procura testar e demonstrar as infindáveis potencialidades da representação pictórica do objecto. Mas fá-lo de modo que cada obra seja um trabalho raro. Cada uma destas novas obras conceptuais quer as que prolongam toda uma linguagem figurativa própria, inaugurada pelo artista no final dos anos 80, quer as que parecem evidenciar neste presente momento novas preocupações ao nível da concepção e representação do objecto traduzem a evolução do caminho artístico e a solidez da obra de Orlando Pompeu. A sua obra plástica organiza-se mediante um sistema autónomo com leis estruturais próprias. É nas relações estruturais entre objecto e sujeito que se estabelece o impulso vital e a evolução criativa, de que o trabalho de Pompeu sugere. Aquele apresenta valores de elevada responsabilidade artística, quer ao nível técnico, formal e criativo. Pompeu é também um artista preocupado com o entendimento da sua obra. Pintor reconhecido internacionalmente prossegue na sua carreira de quase trinta anos uma ideia de trabalho e pormenor, de atenção e de aprendizagem do olhar. Como alguns dos mais conceituados artistas portugueses contemporâneos, Pompeu faz o que quer e como quer, situando-se mais próximo do artífice do que de outros pintores. A sua maneira de ver as coisas adequa-se ao que pinta. Nesse sentido a sua pintura regista verdade, talvez a essência da sua causa. A sua obra irradia luz e esperança no mundo conturbado em que vivemos. Obrigada, Orlando Pompeu!»
Liliana Figueiredo Pereira Porto, Novembro de 2005
«Orlando Pompeu: L´Age D´Or
Exposição de Pintura de Orlando Pompeu com obras seleccionadas, representativas de vinte e oito anos de carreira artística nacional e internacional e cinquenta anos de vida. Vinte e oito anos de carreira são vitais na obra de um artista. A obra de Orlando Pompeu tem um rosto bem definido, de onde irradia uma multiplicidade de sentimentos. A obra fala por si. Na comemoração desta efeméride quiseram também a ela associar-se a Galeria D´Arte 46 e o Sheraton Porto Hotel & SPA. As obras apresentadas nesta Exposição reflectem unicamente uma visão da obra do artista. Nesta ocasião, a Cultura Portuguesa revela-se mais uma vez um factor preponderante na afirmação do nosso país. A obra de Orlando Pompeu, sobejamente reconhecida ao nível nacional e internacional é muito importante no panorama das Artes Plásticas Portuguesas.
Os últimos trabalhos de Orlando Pompeu traduzem-se em formas objectivas, geométricas, representações do mundo dito real, carregamentos e explosões da sua energia, formas de expressar ideias e conceitos – e quanto Pompeu é um pintor conceptual! Fundamenta-se na natureza e no Homem e deles apreende tudo, projectando-os em cada pintura, dizendo com imagens o que diria com palavras; utilizando expressões pictóricas de admiração, de emoção, de intensidade e de agradecimento. Porque para Orlando Pompeu a pintura é também no fundo de si mesma, forma de agradecimento por uma generosidade que se reconheceu. Também o é face aos momentos felizes até agora vividos. Esta consciência da vida, da sua vida, reflecte-se na opção actual de nas suas composições querer precisar o desenho, objectivando-o em sínteses formais. O contorno do desenho é preciso e a triplicação ou quadriplicação dos mesmos elementos reforça a intensidade do tema. Uma espécie de diluição virtual dos contornos é alcançada através do esbatimento gradual das cores utilizadas, relacionando-se estas como matérias quase orgânicas que se interpenetram e sucedem entre si, como que ganham tonalidades inesperadas sem pedir licença à paleta mais convencional da natureza. Estas últimas pinturas de Orlando Pompeu reflectem a plena presença da consciência e do desenho que tendem para a unidade conceptual. São temas relacionados com Paris, uma vez que a cidade-luz foi fundamental no seu percurso, na sua formação e na paixão da arte que assimilou através da leitura dos diversos movimentos artísticos que aí nasceram na primeira metade do século XX: o Cubismo, o Fauvismo, o Futurismo, o Surrealismo. Por isso, a razão expressa nas telas do enorme desejo que sentiu em conhecer a Torre Eiffel e o Sacré-Coeur, onde por detrás, na Place du Thétre, sentiu o chamamento decisivo para a arte. E também a reprodução de várias imagens do DS, designado “boca de sapo” uma vez que foi lançado no ano anterior ao do seu nascimento, em 1955, no Grand Palais, e que em 1978, na altura da sua primeira permanência em Paris, ainda era um automóvel muito apreciado, representativo do design, inovação e elevada tecnologia. A pintura “Aquando no Grand Palais” é uma explosão triunfante de formas, luz e cores, embora estas seguindo a ordem espectral que o autor considera muito harmoniosa. É uma memória viva das recordações do local que vivenciou juntamente com alguns amigos. É um hino e uma homenagem que o artista de certa forma presta à própria pintura. “Trilogia Sensual” é também uma obra de homenagem onde se observa uma triplicação de formas alusivas à Mulher, em tons salmão, evidenciando a procura da realização de efeitos quase escultóricos na pintura. “O Beijo”, obra evocativa dos namorados que se beijam, numa qualquer estação de comboios... Mas os trabalhos mais antigos aqui presentes, detentores igualmente de uma linguagem figurativa própria (inaugurada no final dos anos 80), conduzem também o imaginário do leitor-observador para temas ou dilemas como a vida e a morte, a presença e a ausência, as origens, Cepães e o desejo do artista no conhecimento de novos mundos, culturas e mentalidades, o Porto, Barcelona, Paris, Londres, Nova Iorque e Tóquio, a abordagem do erotismo, a paixão e o amor, a doença, a vivência, o equilíbrio e o excesso… Perante tudo isto, e pela coerência da obra que está à vista diríamos que a paixão do autor pela pintura persiste inabalável. Esta Exposição, “L´Age D´Or” é o registo das vivências de Orlando Pompeu nos quatro cantos do mundo, tendo como imagem central os pilares da sua vida: a arte e a família.»
Liliana Figueiredo Pereira Porto, Março de 2006 |
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